O EVENTO DO ANO

Em certa noite de sábado, acontecia uma mega festa promovida pela Secretaria de Segurança do Estado para os policiais.
A idéia fora do próprio Secretário de Segurança, entusiasmado com o trabalho da equipe dos Neblinas quanto ao assassino "Legado de Nix".

Naturalmente tal evento, substituíra o que o Edgar planejara antes e acontecia apenas junto a um grupo seleto de convidados que conheciam o assunto sigiloso da caçada ao Serial killer.

O acontecimento foi noticiado exaustivamente na mídia como um encontro entre a nata dos policiais do Estado e muita gente aguardava o dia com ansiedade.

Já Victória se enfurnara na sexta-feira em seu apartamento, resolvida a não ir. Passara os dias que antecederam a festa, alheia a tudo e totalmente absorta em outros assuntos misteriosos.

Agnaldo já se encontrava no furor da festa quando se "tocou" que Victória não apareceria no local. Ligou.

____Vick! Já chegou um monte de gente aqui. Um ou dois já perguntaram por você... venha logo!

____É Sério? - respondeu Victória, entretida com um artigo na Internet.

____é sério! Tem muita gente bonita. Estão todos de social fino. Eu estou de terno e gravata, acredita?

____Acredito!

____Você vem?.

____Não! No momento estou muito ocupada polindo o chifre do meu rinoceronte de estimação!

____Victória, não faça isso! Não brinque! O Secretário da Segurança Pública acaba de chegar e dizem que ele quer te conhecer pessoalmente!

____Quem sabe outro dia, se minha agenda não estiver lotada!

____Você é doida? Isso é uma chance e tanto para um policial ganhar destaque e você a merece!

____Ora, Gui, eu não estou a fim!

____Vick! Entenda! Tem tanta gente interessante aqui que você não imagina! E está "rolando" em uma mansão de campo de um pessoal importante da cidade. Só entra com "aquele" convite. Leandro já perguntou por você duas vezes. Julia fica me puxando a língua, querendo saber quando você vai aparecer. A Ana Beatriz trouxe o paizão policial veterano dela e não desgruda da roda de delegados onde a "chefa" está. Sei não, mas acho que esta guria é "entendida" e é maluca pela "Lou".

Victória sentiu a garganta se apertar e seu silêncio fez Agnaldo continuar o ataque.

____ah! E tem mais! Sabe quem "não está" aqui?

____Nem imagino! - exclamou, Vick já sentindo sua curiosidade berrar dentro de si.

____O "Ângelo-granfino-sobrinho-do-governador"!

____Sério?

____Sim! Convidaram todos os assistentes de Liz lá no IML, menos o tal moço!
Ouvi dizer que o médico estava doidinho pra conseguir um convite!

____Jura?

____é verdade! E você vai se arriscar a perder a festa do ano, onde o "Ângelo-do-olho-amarelo"
foi barrado? Vai sair a cobertura do evento, amanhã nas colunas sociais e ele vai ler e ter uma síncope de raiva e inveja quando te ver linda, poderosa nas fotos!

Silêncio prolongado do outro lado da linha e Agnaldo teve certeza de que fisgara o "peixe" . A confirmação veio quando Victória anunciou, arfando:

____Segura a barra aí, Gui, que eu vou descer tomar um banho e me vestir! Aliás, Onde é mesmo o raio deste local? Acho que joguei o convite fora.

O LABIRINTO


O Secretário de Segurança do Estado era um homem idoso cheio de energia e muito simpático. A festa não estava sendo ruim. Aliás, Victória começou a apreciar a chance ímpar de conhecer policiais de carreira, célebres tanto pela experiência, quanto pela coragem e valor.
Havia também muitos veteranos aposentados, todos muito receptivos e se revezando para lhe fazer companhia, contando casos de aventuras e ações policiais que a empolgou.

Leandro, sentado em um divã próximo, observava a colega na roda de veteranos e sorria para ela, enquanto ingeria lentamente seu cálice de bebida. Havia uma luz estranha no olhar dele e ela ficou matutando se ele não estaria se organizando para lhe fechar o cerco.

Louise também estava no salão, envolvida em algum assunto interessante com outros delegados e autoridades. Vestia um longo azul escuro que realçavam seus olhos e trazia no pescoço alvo, um colar de safira com diamantes que fazia parceria com os brincos.

A visão daquela figura muito atraente e sedutora tornou a perturbar Victória, principalmente porque havia um homem alto e de cabelos grisalhos ao lado dela que não deixava de manter a mão em sua cintura, em gesto claro de posse.

____decerto estão namorando! - concluiu aborrecida para si, refletindo sobre a ironia da circunstância de estar sendo o centro da atenção de boa parte dos marmanjos da festa, mas não conseguir atrair para si nem um fio do olhar de quem realmente lhe interessava. Sentiu uma pontada de despeito pois reconheceu no tal bonitão grisalho, o poderoso e bem sucedido jurista e criminalista Enrico Campos, famoso entre as altas rodas e muito rico.

Agnaldo interrompeu-lhe os pensamentos, quando apareceu sorridente, acercando-se dela, repreendendo-a pelo atraso e conduzindo-a pelo salão, fazendo as vezes de namorado.

____Meia-noite e trinta e a senhorita não chegava?

____é que eu só me transformo depois das doze badaladas! Na verdade sou uma rata albina que vira princesa!

Riram juntos e continuaram circulando pelo salão, em meio às pessoas que conversavam animadas.

____Desgruda um pouco de mim, Gui! Assim você atrapalha os peixes de caírem em minha rede!

____ahhhráaáaah! Minha predadora predileta voltou a pescar?

____Talvez! Vê aquele espécime do gênero feminino ali? Não tira os olhos de mim.

____Ah! A Doutora Giovanna. É a titular do sexto Distrito Policial. Está de terninho. Bem apropriado para seu aspecto andrógino.

A mulher de quem falavam, conversava animadamente entre os outros delegados e tinha os cabelos castanhos claros muito lisos, cortados bem curtos. O rosto era forte e cheio de personalidade. Impressionava mais pelo jeito efusivo e desembaraçado, além da estatura elevada.

____Dizem que ela é gay! - segredou Agnaldo - e não olhe agora porque a criatura está se movendo em nossa direção.

A voz de Giovanna era firme e agradável.

____Oi! Você é a Agente Di Angelis!

____Sim!

____Sou Giovanna. - apresentou-se a delegada para ambos, sorrindo. Victória a observou melhor e concluiu que na verdade ela tinha alguns traços fisionômicos assemelhados a um mix interessante de Martina Navratilova e Julia Roberts. Para ser mais precisa: o rosto pendendo para Júlia e o corpo para Martina.

Agnaldo apressou-se em pedir licença para apanhar mais algumas bebidas e se afastou.

As duas mulheres passaram a conversar animadamente e não demorou muito para Giovanna propor com o seu melhor sorriso.

____Quero convidá-la a visitar o Sexto distrito, além de que não escondo de ninguém e muito menos de Louise de que apreciaria muito tê-la em nossa equipe de elite.

Vick sorriu embaraçada, principalmente ao descobrir um par de olhos azuis brilhando intensamente e movendo-se rapidamente em direção das duas.

A Giovanna parecia fascinada com Victória, conversando animada e sempre sorrindo efusivamente, fazendo a policial concluir que aquela mulher realmente tinha um sorriso muito bonito, além de uma personalidade um tanto extrovertida.

Louise postou-se ao lado das duas e cumprimentou a colega com formalidade.

____Vejo que já conheceu a agente Di Angelis!

____Desculpe-me, Lou, mas não esperei que alguém me apresentasse. Vim por própria conta. Aliás, a nossa policial aqui demorou tanto a chegar que eu já estava pensando que teria que esperar outra oportunidade para conhecê-la pessoalmente.

Ana Beatriz apareceu, rebocando seu pai, que fora um delegado com quem Louise trabalhara no início de sua carreira policial e com quem diziam que aprendera quase tudo que sabia.

A roda cresceu mais com a chegada de Agnaldo e Leandro. Giovanna dissertava com Vick sobre armas e o poder de "power-stop" de alguns projéteis, enquanto o Lucas, pai de Ana Beatriz, discorria sobre algumas aventuras vividas em sua vida de policial.
Louise parecia ouvir a tudo, atenta e muito séria com os braços cruzados. O Enrico Campos reapareceu com duas taças de champanhe e tornou a enlaçá-la pela cintura, o que fez com que Victória decidisse sair da roda em busca de um pouco de ar puro e solidão, além de distração para tentar salvar sua noite que estava quase arruinada pelo ciúme forte que a invadiu.

Pediu licença e afastou-se intentando alcançar
o jardim sem ser vista .

Encontrou refúgio em uma pérgula no início do imenso jardim, sendo que ali, lhe acometeram lembranças de certa festa onde tivera o prazer de ter Liz gemendo de fúria e tesão em seus braços.
Constatou que certamente a saudade a atingira em cheio, sentindo-se muito carente e só.

Fechou os olhos e não demorou a sentir na boca o amargor acarretado pela lembrança do abandono; da humilhação sofrida no aeroporto; das palavras duras que ouvira da ex-namorada. Sentiu forte a punhalada da insegurança ante a possibilidade de tornar a tê-la para si e depois perdê-la por motivos que apareciam do nada e se transformavam em uma cordilheira separando-as.

Pensou se já não seria tempo de mudar radicalmente algo em sua vida. Tomar algumas decisões... inovar. Pensou em Louise e seu coração disparou.

Caminhou entre os arbustos floridos para restaurar seu ritmo normal e avistou uma espécie de barreira de árvores cortadas como muralhas vivas, formando um labirinto. Contemplou o céu negro e estrelado, com uma lua enorme.
Decidiu-se sentar em um banco de madeira, voltando-se a tempo de ver Ana Beatriz se aproximar, esgueirando-se pelo jardim.

____a Doutora Giovanna a quer trabalhando no sexto-distrito! Meu pai acha que é um dos melhores e mais bem equipados da cidade. Você deveria pensar bem na proposta! - sugeriu a recém-chegada.

Victória, irritada com o atrevimento de Ana Beatriz, esboçou apenas um sorriso de desprezo, o que fez a intrusa atacar abertamente.

____Vou tirar esse sorrizinho deste teu rosto. Já estou sabendo qual é a sua e do seu parceiro, o Agnaldo. Vi o seu "Gui", com um tal do Felipe, que meu irmão jura que é gay.

____E como seu irmão sabe?

____Não importa! A verdade é só uma: vocês são todos gays degenerados. Mas eu não me importo nem um pouco, só quero te dizer uma coisa, Di Angelis: Saia de vez do nosso distrito e vá para o Sexto, que lá é o seu lugar.

A vontade de Victória era a de esganar a Beatriz, mas conteve-se, lembrando-se que não deveria cair em provocações daquele tipo.

____Bem! Deixa que minha vida governo eu. E tem mais! Se ficar por aí, espalhando diz-que-diz sobre mim e o Agnaldo, eu te processo!
Aliás, você precisa disfarçar mais esta sua fixação pela nossa chefe. Está dando na cara! Daqui a pouco vão achar que você quer mesmo é levar a Louise para sua cama!

Ana Beatriz rugiu de raiva e por pouco não ataca Vick com as unhas.

Enfim, tentou recompor-se e saiu do jardim, desaparecendo rapidamente.

Victória pensou que finalmente teria um pouco de privacidade, quando ouve a voz de Leandro Bittencourt frustrar-lhe a pretensão e a deixar mais ansiosa com a visão daqueles olhos e lábios tão semelhantes aos do objeto de seu desejo mais urgente.

____Veja, Dian, o que eu trouxe para nós! Duas taças e uma garrafa de vinho deliciosa. Aceita?


Com seu refúgio de sossego violado, Vick decidiu que o melhor era entrar no jogo e se divertir, afinal o rapaz era uma companhia agradável.
Passaram a beber e a rir, contando piadinhas espirituosas, nem percebendo que já estavam se excedendo na ingestão da bebida. Apenas apreciavam o clima delicioso que o vinho criara.

Momentos depois, ele a convida para entrarem no labirinto.

____Não se preocupe! Só vamos avançar o suficiente para conseguirmos mais privacidade. Tem uma fonte linda dentro. Vou te mostrar!

Entraram, ambos rindo muito pois já se encontravam um tanto "altos"...

____é lindo aqui! - deslumbrou-se Victória!

____Sim! - emendou Leandro, aproximando o rosto, tentando beijá-la e ela deixou-se levar. Os lábios dele eram deliciosos e ávidos e Victória estava se entregando à volúpia do momento.
De olhos fechados, ela fantasiava que beijava Louise, quando lhe sente a barba de menos de um milímetro que crescia, esfolar a pele de seu rosto, o que a fez cair em si.

____Não, Leandro! Não podemos!- disse, enquanto se afastava dos braços do rapaz.

____Porque não? Você tem alguém? - perguntou o moço com os olhos cheios de ânsia e desejo.

____Na verdade estou sozinha no momento, mas eu não poderia brincar com seus sentimentos, ainda mais porque estou com outra pessoa nos pensamentos. Entende?

____Tudo bem! Eu não sou nenhuma criança e não precisa temer partir meu coração, mas eu apenas te peço que me deixe tentar conquistá-la e não fuja de mim!

Vick riu!

____Para mim, você já é um amigo leal e companheiro!

____O que já é alguma coisa, pois dizem que a amizade é como o amor, só que não possui suas asas...

____E portanto vou manter suas asinhas bem cortadas! - brincou Vick.
Leandro riu e com um sorriso travesso, demonstrou que não se dera por vencido.

____Tenho uma proposta de um jogo legal! Você se esconde no labirinto e eu te encontro. A cada vez que a encontrar, ganho um beijo, ok?

Victória ficou embaraçada, mas topou. Adorava jogar e raciocinou que contando com sua memória poderosa, poderia entrar até os "cafundós" daquele lugar sem se perder, além de que não se deixaria encontrar.

____tudo bem! Mas já pensou que "alguém" pode se perder?

____Não se preocupe! Qualquer coisa, tem "gente" que conhece o labirinto como a palma da mão e manda nos retirar. Estou com meu celular aqui. É claro que não queremos passar por este vexame, queremos?

A policial percebeu claramente os planos de Leandro. Ele esperava que ela não se metesse a fundo no lugar e fosse facilmente encontrada, assim, poderia receber seu prêmio, beijando-a e com a ajuda do vinho, seduzi-la. Decidiu participar do jogo do rapaz por puro esporte.

_____está valendo? - perguntou.

_____Já pode se esconder! - mandou Leandro.

Victória não esperou segunda ordem, metendo-se pelos corredores do labirinto, se ocultando. O jovem Bittencourt iniciou sua procura e a cada avanço do moço, ela se escondia mais e entrava no emaranhado de árvores, estátuas, fontes e muralhas de plantas, memorizando cada passo, cada item.

O lugar realmente era muito bonito e estava iluminado por spots fotossensíveis, o que aumentava mais a beleza de tudo.

Lembrou-se do jardim dos Médicis em Florença, lugar onde Miguel Ângelo esculpia suas obras.

Quando enfim decidiu que já se escondera o suficiente, sentou-se em um banco para refletir sobre algumas coisas na festa:
Ana Beatriz estava possessa mas manteria o "bico calado" sobre Agnaldo e Felipe; a tal delegada Giovanna parecia disposta mesmo a levá-la para seu Distrito Policial, e havia a impressão nítida de que Louise se aproximou das duas, com intenção clara de atrapalhar as "arremetidas" de Giovanna.

Depois, Leandro aparece propondo-lhe um jogo sensual, certamente porque sabia que Vick era uma jogadora compulsiva que adorava um desafio e tinha tesão louco por ganhar.
Gostava tanto de jogar e ganhar que ficava irada até se perdia em um joguinho de palitos.

_____Essa galera está realmente a fim de me confundir a cabeça! - raciocinou a policial, sentindo-se porém vaidosa por ser o centro das atenções naquela noite.

Aproveitou que estava ainda com a garrafa e seu cálice na mão e sorveu mais vinho, pensando que até não seria de todo mal se o jovem Bittencourt a encontrasse e lhe desse mais uns beijos com aqueles deliciosos lábios de cereja, semelhante aos de Louise. Tornou a recordar o incidente dentro do gabinete da chefe, quando esta lhe sugara os seios e a deixara quase louca de desejo e tesão, largando-a logo após sem a mínima explicação plausível.

Mais tarde, soubera que a titular a chamada no gabinete para lhe devolver o emblema e a arma, restituindo-a para a equipe da 44 e interrompendo sua suspensão causada pelo quebra pau no aeroporto.

_____Acho mesmo que Louise quer me enlouquecer! Preciso encontrá-la novamente a sós e conversar sobre tudo isso! Ela não pode ficar me evitando o tempo inteiro!

Resolveu voltar ao salão da festa para reencontrá-la. Iniciou o caminho de volta, tendo as imagens dos pontos de referência do Labirinto na cabeça, porém estas surgiam com a seqüência embaralhada.

_____Acho que bebi demais e estou perdida! - ruminou a policial, chateada com sua tolice.____Agora só vou sair daqui, quando o tal jardineiro ou sei lá quem, vier me resgatar e assim a festa já terá acabado e perderei a chance de interceptar Louise.

O celular toca. Era Leandro!

____Dian onde você está?

____No "miolo" do Labirinto, jogando caixeta com o "Minotauro"...

Leandro riu e informou:

____Não se preocupe! Dentro de alguns minutos alguém aparecerá para tirá-la daí. Só precisa me dizer que estátua está vendo...

____Estou vendo uma gárgula com dois filhotes. Todos com dentes e garras muito afiadas. Um lugar bonito esse, porém, de noite dá pra ter uns arrepios de medo!

____Ah! Então você está no átrio dos nenúfares. Já irão buscá-la. Eu vou ter que levar Julia para minha casa e ficar por lá com ela. Outro dia a gente continua nosso jogo!

____Tudo bem! Vou aqui, bebendo vinho e oferecendo-o à gárgula...

Riram novamente.

____Você é mesmo diferente, Dian! Se fosse outra mulher, certamente já estaria correndo labirinto adentro, gritando histérica e aí daria trabalho para encontrar.

____Interessante é a idéia do dono desta propriedade em fazer um labirinto "monstro" no jardim. Uma pessoa bem excêntrica esta...

____Meu pai desenhou e mandou construir o labirinto. - respondeu o rapaz.

____Ops! - exclamou a policial, percebendo que pisara na bola.___Não sabia que seu pai, além de famoso criminalista era engenheiro e construtor de labirintos nas horas vagas...

____Isso é outra estória que depois te conto. Agora preciso ir porque a Julia já está dormindo no sofá e eu prometi a ela que o tio aqui passaria o fim de semana com ela , comendo pizza e assistindo filmes lá na chácara.

A voz de Leandro, apesar do rapaz emprestar um tom natural, denunciava sua frustração por ter seus planos abortados.

____ok! Estarei aqui, esperando! Não vou fugir.Com sorte saio daqui de helicóptero. O que a bebida não faz...

Desligaram, com Victória pensando que de alguma forma, ela dera um belo "bola fora" com Leandro, tocando no tal assunto de labirinto e etc.

____Que família estranha! - pensou. ____E a Lou-Messalina já empurrou a filha para o irmão cuidar. Certamente vai cair na Babilônia com o Enrico , até o sol raiar...

Não teve muito tempo para ficar remoendo seu ciúme pois ouviu passos leves de alguém que se aproximava.

____O Átrio dos Nenúfares! Um dos mais difíceis de se acessar no coração do labirinto!- a voz rouca e calma atrás de si, a informou.

Victória voltou-se, surpresa com a aparição de Louise.
____Acho que bebi demais! - disse, encostando a um canto a garrafa de vinho e o cálice.____Como me encontrou?

____Meu pai formou este Labirinto. A casa foi de minha família e ele a vendeu quando minha mãe faleceu.

____Ah! Agora entendo! E então, na sua infância você brincava de esconde-esconde aqui? Imagino que sua mãe devia ficar chamando horas pelos filhos...

____Na época Leandro não era nascido, mas poupe-me de suas piadinhas e vamos embora. Vim buscá-la! O jardineiro encarregado, outro que conhece parcialmente o local, talvez demorará mais de uma hora para conseguir chegar até aqui. Você caprichou no seu esconderijo!

Victória não pode deixar de dar um sorriso malicioso.
____Então estamos em um local de difícil acesso?

____Sim!

____Apenas nós, os nenúfares e o luar?

Louise piscou embaraçada.

____O que está pensando, Victória Di Angelis?

____Estava pensando naquele beijo lá no gabinete. Estava pensando que às vezes tenho a nítida impressão de que você está sempre por perto e se preocupa mais comigo do que consegue admitir...

____Está embriagada!

____Tudo bem! Estou bem "alta" mesmo, do contrário teria saído sozinha daqui, mas ainda não entrei em "delirius tremens", portanto poderia arriscar que você está morta de desejo por mim, mas não aceita isso...

____Está mesmo maluca!

____Maluca? Talvez! Mas você não pode imaginar o que é acordar de noite, sonhando que estou beijando seus lábios e percorrendo seus seios com minhas mãos. Não imagina o quanto tremo ao recordar o sonho em que você está nua em meu colo e eu a levo para a cama e a faço gozar em meus lábios. Devo estar ficando maluca mesmo. Maluca por você!

Vick adiantou-se e fechou seus braços em torno de Louise, tomando-lhe o corpo à força e buscando seus lábios com os seus. Quando imaginou que finalmente provaria a delícia de finalmente beijá-la, sentiu algo frio em sua fronte esquerda. Era o cano de uma pistola. Afastou seu rosto do dela, sorrindo em um esgar de desejo e ansiedade.

Apesar da tensão do momento, ali, com aquele vestido longo sensual , além dos olhos hipnóticos, Louise parecia Lilith que descera no primeiro clarão do luar.
A imagem comoveu tanto Victória que esta se ajoelhou diante dela lenta e reverentemente, abraçando-lhe as pernas e pousando o rosto sobre o vestido, naquele delta harmonioso e perfumado, beijou-o sem se importar com a ameaça que a arma de fogo ainda lhe oferecia. Sentiu-a vibrar e tocar seus cabelos suspirando.

____Não faça isso, Di Angelis!

Sua voz soava entrecortada, enquanto Victória continuava a beijar-lhe o sexo por cima do vestido, apanhando-lhe o firme "derriére" com as mãos e puxando-a pelos quadris, mais para si.

Por fim, a delegada com um passo rápido para trás, conseguiu livrar-se daquele abraço sensual.

____Não posso permitir que continue com esta insanidade!

A policial ainda de joelhos, baixou a cabeça amargurada pelo seu desejo represado que ameaçava enlouquecê-la para depois erguê-la com o olhar brilhante, quase desesperado.

____Você não quer? Até quando vai fugir? Eu não sei que espécie de sentimento sinto agora, mas sei que a desejo com cada partícula do meu corpo. Às vezes me desespero tanto que tenho até cogitado sobre a possibilidade de me afastar definitivamente de você, do distrito ou de tudo que me traga lembranças suas.

Acredite! Aquela aventura traumática lá no abismo mudou algo dentro de mim. Sinto-me distante de coisas que antes eram importantes e bem próxima de outras. Na verdade estou confusa a respeito de tudo. Apenas tenho convicção de que a quero possuir inteiramente!

Louise encostou-se em uma estátua como se precisasse ser amparada para não desmoronar, fechando os olhos por breves momentos:

____Não está sozinha nisso! - sussurrou a delegada, com uma expressão nova no rosto, guardando sua arma e tomando a mão de Vick, conduzindo-a lentamente para fora do labirinto.

Caminharam pelos amplos corredores, imersas em seus pensamentos, sendo que
Victória, sentindo o clima sensual e quente entre as duas, pensava em como aproveitar aquela oportunidade única que avistara.

Mais alguns passos e aos poucos passaram a ouvir as vozes das pessoas no grande salão de festas.

____Aqui nos separamos! - anunciou a Delegada, tentando desembaraçar sua mão pequena e macia da de Di Angelis.

____Ok, e já que todos estão contentes e a salvo, acho melhor eu ir embora também! - avisou Victória, procurando disfarçar seu embaraço e estado de espírito perturbado.____ porém... me ocorreu um daqueles "insight" lá no labirinto que talvez possa ser importante, mas como hoje é dia de festa, posso apresentar um relatório na segunda feira...

Louise arqueou as sobrancelhas curiosa e intrigada, avaliando o rosto de Victória.

____Conte agora! - pediu.

____Aqui não pode ser! É sobre o "Legado de Nix"...

____Ainda Nix? - exclamou Louise impaciente...

____Bom... é apenas um "insight" absurdo... mas... acho que na verdade, deve ser mesmo o efeito desta noite maravilhosa e do vinho. Acho melhor ir para casa dormir.

Virou-se para sair quando a Bittencourt a segurou pelo braço.

____Espere! - disse enquanto apanhava um pedaço de papel na bolsa, escrevendo rapidamente algo. Depois o entregou a Vick e saiu.

A policial caminhou para um lado deserto e se ocultou no jardim, procurando um pouco de luz para ler o bilhete.

Ali estava escrito: Rua Alexandre Vieira Borges, n° 8440 - Largo das Azáleas - apto. 633. Havia também uma chave de metal amarelo.

O coração disparou eufórico ante a oportunidade de ficarem novamente a sós e ter nova chance de tentar seduzi-la.

____Bingo! Ela mordeu a isca!

Voltou ao salão e seguiu Louise disfarçadamente com os olhos. As pessoas tornaram a se acercar de Victória, desejosos de sua atenção. Quando a policial tornou a olhar, não encontrou mais a delegada e seu coração acelerou-se.

____Onde ela está? Será que já foi embora? - pensou.

Acionou o celular e chamou um táxi, mesmo diante do protesto de alguns convivas que insistiam em lhe dar carona.


A SÓS COM LOUISE


A policial caminhou para um lado deserto e se ocultou no jardim, procurando um pouco de luz para ler o bilhete.
Ali estava escrito: Rua Alexandre Vieira Borges, n° 8440 - Largo das Azáleas - apto. 633.
Havia também uma chave de metal amarelo.

O coração disparou eufórico ante a oportunidade de ficarem novamente a sós e ter nova chance de tentar seduzi-la.

____Bingo! Ela mordeu a isca!

Voltou ao salão e seguiu Louise disfarçadamente com os olhos. As pessoas tornaram a se acercar de Victória, desejosos de sua atenção. Quando a policial tornou a olhar, não encontrou mais a delegada e seu coração acelerou-se.

____Onde ela está? Será que já foi embora? - pensou.

Acionou o celular e chamou um táxi, mesmo diante do protesto de alguns convivas que insistiam em lhe dar carona.

Quando o veículo chegou, entrou apressada, qual Cinderela apavorada com a possibilidade da carruagem virar abóbora e do sonho virar pó.

Como se mover nos saltos lhe dificultava o passo, arrancou os sapatos e partiu em busca do tal endereço. O motorista a deixou diante de um condomínio vertical em um bairro bem conceituado na cidade, apesar de afastado do centro. O porteiro deixou-a entrar sem empecilhos. Disse que já fora avisado da sua visita.
A policial entrou no elevador e consultou o relógio. 2 horas da madrugada. Riu nervosa pela aventura que estava se metendo mas não ia desistir.

Na porta do 633 parou.

____é isso o que você realmente quer? - perguntou-se em pensamento e obteve uma resposta rápida ecoando do seu íntimo:

____eu a quero! Eu a quero! Mesmo que somente por uma noite!

Partiu para a ação, experimentando a chave na porta e esta girou livre.
Entrou em um apartamento amplo que tinha na parede da sala, espadas de samurais e outras relíquias antigas, além de um belo piano. Um elmo romano de metal repousava na mesa de centro.

No fim do corredor, sobre um móvel, um vaso de cerâmica abrigava seis tulipas vermelhas.

Tudo a sua volta transparecia sensualidade e requinte. Vick estava ansiosa para encontrar a obra de arte mais importante daquele santuário.

Ainda estava observando cada detalhe delicioso do lugar quando Louise aparece na sala, pela porta do único quarto, vestida em um roupão , com os cabelos molhados.

A "Audrey Hepburn" aproximou-se lentamente da policial, fitando-a com seu olhar
penetrante.

____Sente-se e conte-me sua teoria! - mandou..Victória permaneceu em pé, desafiadora.

____Me ocorreu que talvez não tenhamos detido o verdadeiro "Legado de Nix" e sim um emissário dele!

____E o que a fez pensar assim?

____Não penso assim, mas algumas coisas não se encaixam. O homem que apanhamos não parecia ter o perfil do "Nix". Era rústico, truculento e nada sofisticado. Parecia mais provido de músculo e nervos do que neurônios...

____Continue!

____E tem o símbolo da adaga. Era a adaga do Anjo Vingador, logo, temos outro
personagem muito distinto do principal.

Como em um tabuleiro de xadrez. Temos o cavalo, o Bispo, a Torre... Todos com
especialidades e comportamentos distintos, liderados pela Rainha.

____Mas o comportamento do "Legado de Nix" é a de um serial killer... e não poderiam haver dois atadores seriais estatisticamente unidos em uma cidade com 1 milhão de habitantes. Eles são raros!

____Mas existem os servidores dos assassinos seriais. A história conta exemplos claros de indivíduos que na verdade são maníacos comuns que admiram os Seriais Killers e se unem a ele para satisfazer seus propósitos. Dizem que "Jack o Estripador" tinha a cultura e habilidade de um cirurgião, mas os recados deixados para a polícia no muro, possuíam erros de grafia o que levanta a suspeita de que teria um assistente...

Louise sentou-se séria com os olhos inteligentes reluzindo. Certamente considerava cada palavra e todas as possibilidades. Seu celular tocou e ela o atendeu.

____Enrico? quer se encontrar comigo ainda hoje? - exclamava ela no celular, enquanto Vick via seus planos descerem por água a baixo, exatamente no exato momento em que conseguira a atenção da titular para si.

____Espere alguns minutos e depois te ligo para te dar resposta! - finalizou a Bittencourt, desligando o aparelho e fitando Vick.

____Agora que já conversamos, prometo que vou pensar em tudo que me contou. Vou chamar um táxi para você!

Victória que já lutava contra si para tentar não ter que usar certa carta "suja" que tinha na manga, cedeu e atacou:

____Vai se encontrar com o Senhor Enrico " Falcão"?

____Como assim? O sobrenome do Enrico é Campos - perguntou Louise, sentindo-lhe a dubiedade das palavras.

____Sim! Mas em uma das minhas rondas entre as garotas de programa lá da rua Nonato Matias, uma delas me contou sobre um certo cliente, jurista, que tem um falcão tatuado no traseiro. O homem gosta de transar com as meninas de uma forma bem peculiar, digamos, e paga sempre muito bem!.

Louise levantou-se como um raio, tendo os lábios apertados em um ricto de intensa raiva.

_____Seu trabalho nas ruas não é o de ficar bisbilhotando a intimidade alheia!

____Não bisbilhotei. Elas é que gostam de contar casos que acham que é vantagem, mas eu não disse que era o seu namorado, o tal Enrico Campos...

A Bittencourt tremia e seus olhos luziam o que fez com que Victória refletisse tardiamente que errara em sua gana de desmoralizar o jurista, mesmo contando um relato verdadeiro. O certo seria ter mantido a boca calada.

____Vá embora! - mandou Louise, com raiva e Vick resolveu que realmente era muito prudente deixá-la só. Voltou-se para a porta mas quando pensou em girar a chave e sair, sentiu algo zunir perto de sua cabeça e encostar-se em sua espádua. Era uma lâmina fina e fria. Voltou-se cuidadosamente a tempo de ver que a Delegada apanhara um belo e antigo florete de um canto e agora parecia prestes a espetá-la na parede como a um inseto.

____Tenha calma porque isso aí pode machucar alguém! - avisou a policial.

A titular moveu os lábios em algo que parecia um sorriso perverso.

____Existem algumas coisas que não sabe a meu respeito, Di Angelis e nem suas amiguinhas poderiam revelar!

____O que? Por exemplo? - perguntou a policial, temendo que a resposta fosse que a delegada era uma serial killer esquartejadora de mulheres.

____Já ouviu falar em sádicos? Pessoas que só obtém prazer com o sofrimento e humilhação de outros?

____hummm...Ah já... - respondeu Vick, tentando parecer natural, voltando-se novamente para a porta para sair do apartamento.

Foi quando sentiu um movimento rápido que lhe cortou a alça direita do vestido,
cirurgicamente.

____recomendo que não faça movimentos bruscos ou poderá se ferir! - avisou a Bittencourt enquanto encostava entre os seios de Vick a ponta do florete, a perigosa e flexível espada dos espadachins medievais.

____Mais um brinquedinho do seu coleção de raridades? - perguntou a policial, tentando ganhar tempo para raciocinar melhor.

____Sim! Este florete pertenceu ao mais valoroso mosqueteiro do rei Luis XV. - explicou Louise enquanto descia a ponta da fina lâmina para o ventre de Victória.

____E o que pretende com tão valoroso objeto? - perguntou Vick, preocupada com a resposta que veio rapidamente em um gesto veloz e habilidoso que lhe cortou a outra alça do vestido fazendo-o despencar-lhe aos pés.

____Ok! Já entendi! Agora sou sua refém e não quer que eu me mova ou me espetará na porta como a um inseto! Tudo bem fique calma e não me moverei. Respirar pode?.A resposta veio em outro fulgurar do aço que cortou uma parte lateral de sua calcinha.

____Inacreditável! Agora estou diante de uma Delegada maníaca e perigosamente armada; apertada contra uma porta e sendo despida na ponta de uma lâmina medieval! Como foi que me meti nesta roubada? - pensou Victória, enquanto a lâmina passeou por sobre seu corpo e estacionou novamente sobre seu ventre.

Desesperada, Di Angelis avaliou a distância de um metro ou mais do comprimento do florete que separava a si de Louise, imaginando como poderia reagir e desarmá-la antes que o pior acontecesse, tal como ela errar uma de suas estocadas. Ao fim da rápida avaliação, percebeu que naquele momento nada havia a fazer a não ser esperar uma oportunidade melhor para fugir.

Gelou ao sentir a lâmina ser lançada em sua direção mais uma vez e só percebeu o que aconteceu, quando sua calcinha lhe caiu também ao chão.

____Esta é a maneira mais original de se despir uma mulher! - Articulou, com a garganta seca pelo medo de sequer imaginar qual seria o próximo passo de Louise.

A lâmina agora começou a passear por seu corpo nu, formando desenhos invisíveis, enquanto Louise parecia beber-lhe cada detalhe. Estacionou sobre sua púbis com os pelos bem aparados em forma triangular.

____O que fazia com Leandro no labirinto? - perguntou com voz mais rouca e com expressão perigosa, sem tirar os olhos do corpo de sua presa.

____Brincávamos de esconde-esconde! - respondeu Vick, sentindo que começara o interrogatório.

____Já lhe avisei para não brincar com os sentimentos do meu irmão?

____Ora, Louise! Você age como Leandro fosse uma criança...

____o que fizeram? Estavam se beijando e você se esfregou nele como uma cadela no cio?

____wowww! O nível começou a cair! Seria sinal claro de ciúmes?

Louise soltou uma exclamação irada e arremeteu a espada na porta, fincando-a bem ao lado do rosto de Vick.

____Vou te dar uma lição, Di Angelis que não se esquecerá jamais! - ameaçou, acionando o interruptor e deixando a sala à meia-luz, enquanto retirava a chave da porta e tornava a entrar no seu quarto.

Vick percebendo que a chance de fugir que esperava, aparecera. Tentou recolher o que lhe restava do vestido e já se preparava para usar um de seus brincos especiais para abrir a fechadura da saída, quando a delegada retorna, sendo que a policial mal podia distinguir-lhe a silhueta esguia.

O que aconteceu depois, estava fora de qualquer imaginação alucinada de Victória, pois seus pulsos foram rapidamente algemados e ela empurrada sobre um divã, sendo que Louise atirou seu corpo sobre o dela com fúria, encostando-lhe a lâmina de um punhal no pescoço, imobilizando-a por completo.

____Eu a avisei! - rugiu a Bittencourt, enquanto lhe abria as pernas, encaixando seus quadris estreitos entre elas e iniciando um sensual e ritmado movimento de vai e vem.

Victória sentiu uma dor fina que cresceu e percorreu seu sexo, sem entender direito o que lhe estava acontecendo até perceber que seus gemidos de dor e sofrimento só estimulavam mais os ataques da delegada que agora lhe mordia os ombros, penetrando-a impiedosamente e mais fundo a cada estocada, com o artefato que estava firmemente preso aos seus quadris.

____Pare! Está me machucando! Eu nunca fui penetrada assim! - gemeu Vick, enquanto lágrimas abundantes escorriam de seus olhos.

Louise continuou a penetrá-la fortemente, mordendo-lhe os lábios, enquanto uma mão lhe apertava os seios e a outra continuava com a lâmina abaixo de seu queixo.

A tortura continuou por alguns minutos que para Victória pareceram dias, até que a delegada, atingindo o clímax, rugiu como uma leoa no cio, mordendo-lhe mais fundo os ombros e contorcendo-se de prazer até despencar sobre o corpo de sua vítima, em uma espécie de letargia.

Minutos depois, levantou-se trôpega, ainda com a respiração acelerada e retirou o pênis de silicone de seu quadril, retornando ao seu quarto, sem dizer palavra.

Victória sentou-se no divã, angustiada e sentindo-se suja. Nunca em toda sua vida, sofrera experiência tão absurda e humilhante quanto aquela, principalmente porque percebera que seu corpo fora usado e violado enquanto sua dor e agonia estimularam e nutriram o prazer sádico da Bittencourt.

____Isso não vai ficar assim! - ameaçou para si, enquanto buscava um interruptor para acender a luz da sala e tentar se livrar das algemas. Com a restaurada claridade, conseguiu usar seus brincos especiais para abrir as algemas e ainda encontrar sobre um móvel o artefato que a delegada usara, além do belo florete. Observou o pênis artificial e percebeu o que também causara o orgasmo de sua algoz: Havia uma pequena saliência que estimulava o clitóris de quem o portasse.

Tocou entre suas pernas e viu o sangue em seus dedos.

Neste momento Louise retorna com um roupão extra e lhe vê a mão e o interior das coxas, sujos de sangue.

_____Você sangrou. Está no seu ciclo? - perguntou surpresa.

_____Não!

_____E o que explica isso?

Victória tentou se mover para a saída, mas suas pernas tremiam e ela gemeu como uma criança ferida.

____Ainda sente dor? - perguntou Louise, com um arquear de sobrancelhas.

A resposta veio em outro gemido e lágrimas que escorreram pelo rosto da policial.

____O que você tem, Di Angelis? Não aconteceu nada além do que uma mulher adulta teria capacidade de suportar. Venha e tome um banho e vista este roupão. Depois vou providenciar algo para você se vestir e poderá ir embora.

Vick seguiu-a para o interior da grande suíte e esperou que ela lhe preparasse a água quente dentro da grande banheira e a deixasse só. A policial entrou na água cuidadosamente e fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que ainda insistiam em lhe banhar o rosto.

Eram lágrimas de decepção, mágoa e dor.

Aos poucos foi se acalmando e relaxando, fechando os olhos e deixando seu corpo amainar.

Minutos depois, terminou o banho, vestiu o roupão silenciosa e passou para o quarto onde encontrou Louise que ao vê-la entrar, postou-se ao seu lado olhando-a profundamente.

_____O que a fez sangrar! - tornou a inquirir com uma leve ruga entre as sobrancelhas.

Vick, engolindo sua raiva, decidiu abrir o jogo.

_____eu ainda "tinha" um hímen do tipo "complacente", como disse meu ginecologista e mulher alguma conseguira rompê-lo até então pois ele se esticava e como nunca me relacionei com homens, ele ia se mantendo...

Louise abriu a boca várias vezes sem dizer palavra, enquanto assimilava o que ouvira, aparentando totalmente pega de surpresa. Suas narinas dilataram-se, aparentando uma pantera farejando o sangue de sua vítima.

O celular dela toca e lhe rompe o transe momentaneamente. Era Enrico novamente, informando que a esperava no mesmo local de sempre.

____Não me espere, Enrico. Não insista! - disse agressivamente, desligando o celular de forma abrupta. Voltou-se para Vick aproximando-se dela e tirando do pequeno porta jóias que tinha nas mãos, uma bela gargantilha de ouro, prendendo-o no pescoço da policial.

____Sua recompensa pelo prazer que me proporcionou esta noite! - disse com um sorriso provocante.

A ira de Di Angelis explodiu e ela retirou a gargantilha de si em um gesto e lançou-a sobre a cama.

____Quem pensa que sou? Algum destes garotos de programa a quem você paga pelas
noitadas de sexo?

____Não, absolutamente! Garotos de programas podem ser pagos e dispensados sem maiores problemas, o que não é o seu caso pois você ainda insiste em esperar de mim alguma espécie de sentimento que eu jamais poderia corresponder ou nutrir por uma mulher.Não quer a jóia? Pegue! É o que posso lhe oferecer pelos seus serviços e estará bem paga.

Victória não viu quando pulou sobre ela, surpreendendo-a e derrubando-a na cama, atingindo-lhe o rosto com a mão aberta várias vezes até que no canto de seus lábios, um filete fino de sangue escorresse e a policial estacasse petrificada.

Por fim, caiu em si e fugiu em desespero, não se importando em caminhar pela rua de madrugada apenas vestida em um roupão de cetim até encontrar um orelhão, onde ligou a cobrar para a casa do Agnaldo. O amigo atendeu, meio sonolento e assustou-se ao ouvir-lhe.

______Di! O que aconteceu?

____Não me pergunte, Gui! Só preciso de um lugar para dormir essa noite. Pode ser na sua casa?

____Claro! Me diz onde está e vou buscá-la!

Na casa de Agnaldo, ele lhe preparou a cama sem perguntar nada e Victória deitou-se e adormeceu profundamente.

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